Os papagaios que assobiam precisam de ajuda mais do que nunca.

DrA primeira árvore esta manhã estava a poucos minutos de carro da estação de pesquisa, repleta de algumas dezenas de palmeiras e árvores decíduas em uma pequena elevação – uma ilha no meio de um mar de grama. Essa floresta aqui no Brasil é chamada de Pantanal, e é uma das maiores áreas úmidas do planeta. Em novembro, a estação das chuvas apenas começou e, em algumas semanas, a área gramada será inundada, após o que a árvore estará realmente em uma ilha. É fácil ver que há algo especial nesta árvore. Ao redor de seu torso está um vestido metálico prateado de dois metros de altura. A bióloga Neiva Guedes explica a proteção contra animais que podem escalar. É uma árvore do Panamá e, no alto de uma caverna natural, os pássaros fizeram seus ninhos que Guedes quer desesperadamente proteger: os papagaios-jacinto.

Existem mais de 350 espécies de papagaios em todo o mundo. Os papagaios são os maiores entre eles, e Anodorhynchus hyacinthinusA arara-azul é o maior dos papagaios, podendo chegar a 1 metro de comprimento. Mas em todo o mundo, segundo estimativas, apenas cerca de 6.500 espécimes vivem na natureza, e a maior população pode ser encontrada no Pantanal. Suas espécies estão ameaçadas de extinção porque os papagaios-azuis são populares no comércio de animais e os caçadores os caçam porque os incêndios cada vez maiores ameaçam o Pantanal na estação seca. E porque os pássaros majestosos são verdadeiros especialistas: alimentam-se quase exclusivamente dos frutos de dois tipos de palmeiras, as palmas Akuri e Bukayova. Eles preferem fazer ninhos em cavernas encontradas em antigas árvores do Panamá (Stercolia Apitala), aqui chamado de Manduvi.


Para inspecionar os filhotes, Lucas Rocha Novaes sobe nos ninhos e depois joga os papagaios bem embalados no chão.
:


Foto: Kai Kupferschmidt

Um barbante amarrado a um lado da árvore que Guedes visita naquela manhã. Um enorme anel pende de um galho alto no topo. Os pesquisadores amarraram uma corda de aço nele, puxaram-no sobre o galho e prenderam sua extremidade a uma palmeira. Agora Lucas Rocha Novaes pode agarrar a corda e subir no buraco do ninho. A uma altura de dez metros, ele usa uma arma para medir a temperatura dentro e ao redor do ninho. Em seguida, ele estende a mão com cuidado, usando luvas, e leva o bichinho para fora e coloca-o em uma sacola de pano e coloca-o em uma cesta que ele gentilmente deixa cair no chão. Lá Guedes recebe a cesta e retira com cuidado a ave da sacola na área aberta de carregamento do caminhão. Este papagaio tem cerca de três meses e é realmente lindo com sua plumagem azul brilhante, apenas a pele ao redor dos olhos e o bico inferior são amarelos. “Que companhia”, diz Guedes. Você mede e pesa o animal e tira uma amostra de sangue. Essa é a única maneira de determinar o sexo com certeza, e as penas não revelam nada depois. Por fim, ela recebe um anel de metal na perna que diz “Projeto Arara Azul”.

Em novembro de 1989, Neiva Guedes estava muito perto. Na época, o biólogo estudado trabalhava para a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso do Sul na capital, Campo Grande. Em um treinamento no Pantanal, ela tinha apenas 26 anos quando viu pela primeira vez araras-rubi na natureza: “Foi amor à primeira vista”. Naquela época, estimava-se que havia muito mais animais em cativeiro do que na natureza. A ave daquela época parece ter desaparecido rapidamente do Pantanal. Guedes resolveu lutar para preservar a espécie. Ela largou o emprego, voltou para a universidade, estudou ciência florestal e iniciou o “Projeto Arara Azul” em 1990, hoje um dos projetos de proteção de espécies mais antigos do Brasil. O objetivo: caçar o papagaio jacinto para melhor protegê-lo.

READ  Brasil quer vacinar crianças sem receita

We will be happy to hear your thoughts

Leave a reply

Rede Piauí