Epidemia e crise econômica: a volta da fome no Brasil – Política

Quando o despertador de Aline Conceição toca, às três da manhã, ela joga o colchão em que dorme com as duas filhas e o filho. Ela vai ao pequeno banheiro de sua casa e se lava com água de um balde. Enquanto isso, sua filha mais velha está fazendo café e embalando-o em garrafas térmicas.

Ainda estava escuro quando Conceição, de 39 anos, empurrou a porta de metal para abrir a estrada que passa pela favela Campinho, em um morro no empobrecido norte do Rio de Janeiro. Carregada de termoplacas e sacolas cheias de doces e amendoins, ela caminha pela vizinhança até um ponto de ônibus. Ela espera que hoje o guarda esteja na catraca e sempre a deixe passar sem passagem.

Ela dirige um afro-brasileiro até a parada final e recolhe sua mercadoria humilde. “Começo a vender às cinco”, diz Conceição. Ela trabalha até o meio-dia e até então não come nada além de um bolo com um ovo que ela mesma fez de manhã. Ela também bebe café adoçado. “Tenho que jurar minha comida, senão não haverá energia suficiente e vou ficar tonto.”

35 milhões de pessoas trabalham sem nenhum seguro

Conceição é uma das cerca de 35 milhões de pessoas que trabalham no setor informal, ou seja, por conta própria e sem nenhum seguro. Eles vendem algo na rua ou prestam um serviço. As organizações informais representam cerca de 40% da população ativa do Brasil e constituem a espinha dorsal de uma sociedade que entraria em colapso sem sua própria iniciativa. No entanto, eles são pobres.

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Antes da pandemia, isso significava que eles não tinham ganho o suficiente para progredir socialmente, mas sempre foram capazes de sobreviver. Isso mudou. O país vive uma crise econômica profunda e pessoas como Aline Conceição correm o risco de não conseguir se alimentar o suficiente. Eles estão ameaçados de fome e desnutrição. Esse risco é particularmente alto para os cerca de 14 milhões de brasileiros oficialmente registrados como desempregados, a uma taxa de 13%.

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Em 2014, a fome no Brasil foi considerada vencida, quando a Organização Mundial da Alimentação (FAO) retirou o país do mapa global da fome. Agora ele está de volta com força total. Ao longo de um período de cinco anos, os especialistas notaram um aumento do problema, que foi agravado pela epidemia.

A necessidade crescente pode ser sentida e vista em todo o país

De acordo com a rede de pesquisa brasileira Rede PenSSAN, 119 milhões de brasileiros sofrem de insegurança alimentar, ou 56% da população. Cerca de 19 milhões de pessoas não comem mais o suficiente ou já estão morrendo de fome.

Isso pode ser sentido em todo o país. Não apenas em favelas e áreas rurais pobres, mas especialmente nos centros das cidades. Milhares fazem fila diariamente para almoços grátis, e cada vez mais moradores de rua estão construindo seus aposentos nas calçadas. Um exército de mercadores percorre os trens suburbanos, vendendo todos os tipos de coisas: fones de ouvido, chocolate, xampu e produtos frequentemente roubados.

Além disso, cada vez mais pessoas estão tendo que colocar algo na rua, mesmo que sejam coisas que retiraram do lixo. Freqüentemente, as crianças vão aos restaurantes e, no supermercado, estranhos o abordam perguntando se você pode comprar uma caixa de leite em pó.

Muitos brasileiros prósperos tomaram consciência do drama algumas semanas atrás, quando fotos de Fortaleza e do Rio circularam online, mostrando pessoas cavando ossos e restos de carne.

O chefe de estado de direita Bolsonaro descartou um programa social de sucesso.Foto: Osley Marcelino / Reuters

Aline Conceição e Seus filhos são afetados pelo que os especialistas chamam de insegurança alimentar. Embora Conceição trabalhe mais de 50 horas semanais, não há mais dinheiro para uma alimentação adequada. Desde o início da epidemia, ela recebe cestas básicas distribuídas pela Pastoral da Criança Católica na favela do Campinho.

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Contém alimentos não perecíveis: arroz, feijão, macarrão, óleo, açúcar. Conceição e seus filhos não comiam a fruta há muito tempo; Eles são caros. “Sem a ajuda, passaríamos fome”, diz Conceição. “Tenho medo disso.”

Alunos recebem pelo menos duas refeições por dia

É um alívio que seus três filhos, com idades entre 7 e 17 anos, estejam de volta à escola e fazendo duas refeições por dia. “Mas e se houver um novo desligamento devido à Omikron?” Mãe pergunta, ela está preocupada. Graças a doações de empresas, ONGs, igrejas e pessoas físicas, ainda não houve fome no Brasil.

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Isso não está totalmente excluído. Porque o desejo de doar diminuiu com o fim da epidemia. “Nossas cestas básicas estão diminuindo aos poucos”, afirma Claudia Soares, Coordenadora da Pastoral da Criança de Campinho.

A inflação forte tem um efeito brutal neste caso. De acordo com o instituto de estatísticas IBGE, os preços subiram mais de dez por cento nos últimos doze meses. Isso pode ser sentido quando os produtos no supermercado ficam um pouco mais caros a cada semana e as filas no caixa ficam mais curtas porque menos pessoas estão comprando.

Bolsonaro concluiu um dos programas sociais de maior sucesso

Aline Conceição diz que não consegue comprar carne há meses. Significa carne bovina, que para muitos brasileiros é uma medida de qualidade de vida. Se você não pode comprar um, você se sente mal.

Neste caso particular, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro cancelou um dos programas sociais mais bem-sucedidos do mundo: o Bolsa Família, a “família de ajuda” que salvou milhões de brasileiros pobres da fome e da pobreza. Em vez disso, ele criou seu próprio programa, Ajude o Brasil.

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Mas só se aplica até as eleições de 2022, nas quais Bolsonaro participou Ex-Presidente e Ícone de Esquerda Lula da Silva um desafio. Para Aline Conceição, está claro quem vai votar a seguir. “Comíamos carne sob a supervisão de Lola”, diz ela.

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