Eliane Ramos Vieira da Silva é a primeira carteiro da maior favela do Brasil no exterior

Correios, coleta de lixo, água e eletricidade não podem se estabelecer nas favelas. Como Eliane Ramos Vieira da Silva queria receber a correspondência, ela abriu uma empresa postal privada sem mais delongas.

É tão escuro quanto a noite nos becos da favela da Rocinha ao sol da tarde carioca. Às vezes, a luz artificial de um show de padaria brilha no escuro, e o cheiro de canais abertos se espalha pelas ruas, enquanto o esgoto de centenas de milhares de residentes escorre pela colina abaixo.
Eliane Ramos Vieira da Silva, uma mulher de quase quarenta anos, cabelos escuros e lustrosos e poucas sardas, cresceu nesses becos. Ela nos conduz com passos apressados ​​ao lado de sua infância. De repente, parei em frente a um campo de futebol com paredes de concreto. O companheiro de Eliane, Nelson José da Silva, faz questão de esperar e correr. Na entrada do Beco, ou seja, em um beco, cerca de uma dezena de jovens de 15 ou 16 anos, descalços, com fones de ouvido e walkie-talkie em maiôs, sentam-se em dois sofás. Eles controlam a área em nome de um traficante – e vendem seus produtos. Nelson caminha até ela, gesticula suavemente, se vira e levanta o polegar.
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Ao passarmos pelos sofás, os meninos bloqueiam a estrada, parecem decididamente escuros e, por fim, formam uma treliça pela qual caminhamos de cabeças inclinadas. Os meninos jogam por nossa causa, somos estranhos. Nelson e Elaine não a incomodam. Os meninos precisam deles, assim como grande parte da população de Rusinha. Nelson é mensageiro de um posto particular da Rocinha, a cacique Eliane. Como é habitual que o correio chegue a Friburgo, Viena ou Paris, é invulgar em Rossenha: os habitantes não têm endereço, Pecos não tem nome, ou pior: muitos endereços diferentes. E os números das casas aqui são atribuídos geograficamente, cronologicamente ali, ou de forma bastante arbitrária. Os becos mudam naturalmente, um está construindo uma parede e outro é um túnel. Os Correios do Estado não estão tentando encontrar uma solução, os moradores da Rocinha simplesmente não recebem correspondência. Isso significa: nenhum cartão de crédito, nenhum aviso de pensão e nenhuma forma legal de obter eletricidade.
Mudou a vida de dezenas de milhares de favelas

Eliane Ramos Vieira da Silva nunca havia recebido uma carta na vida até decidir que não havia necessidade. …

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